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Daniel Júnior quebra hegemonia de 12 Anos e vence disputa na União das Câmaras de MS

Em uma eleição marcada por acusações mútuas e disputa acirrada, o vereador de Dourados Daniel Júnior (PP) foi eleito na terça-feira (2) novo presidente da União das Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul, encerrando uma hegemonia de 12 anos do grupo ligado ao vereador Jeovani Vieira (PSDB), de Jateí. Com 198 votos contra 166, a chapa de Júnior, que tem como vice o vereador da Capital Junior Coringa, assume uma entidade em crise: das 79 Câmaras do estado, apenas 31 permanecem filiadas, reflexo de denúncias ao Ministério Público Estadual (MPE) e esvaziamento progressivo.

A eleição simboliza mais do que uma troca de comando: é a vitória de um projeto apoiado por nomes de peso da política sul-mato-grossense. O governador Eduardo Riedel (PSDB), o presidente da Assembleia Legislativa (Alems), Gerson Claro (PSDB), e a senadora Tereza Cristina (PP) apoiaran o nome de Daniel Júnior, em uma movimentação que revela a influência do grupo liderado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

“Essa vitória não é só minha, é de todos que acreditam em transparência e renovação. Vamos reconquistar a credibilidade da União”, afirmou Daniel Júnior, em discurso pós-eleição. O resultado reforça a estratégia de Azambuja, que, mesmo fora do Executivo estadual, mantém base sólida no interior — ponte para sua possível candidatura ao Senado em 2026.

 Batalha Judicializada
 
O pleito foi palco de tensões. A chapa de Júnior acusou Jeovani de permitir que ex-vereadores votassem, distorcendo a representatividade. Já a gestão atual criticou a comissão eleitoral, alegando favorecimento à oposição com a distribuição de 31 urnas — uma por município —, o que, segundo eles, facilitaria o controle dos votos.

A crise institucional não é nova. A Câmara de Campo Grande, por exemplo, deixou a entidade em 2023 após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) proibir repasses financeiros devido a irregularidades nas contas. “Não havia transparência. Suspender os repasses foi uma decisão técnica, não política”, explicou o vereador Carlão (PSB), primeiro secretário da Casa.

 MPE no rastro das denúncias 

A eleição ocorreu sob o espectro de uma denúncia da 1ª Vara de Direitos Difusos de Campo Grande contra Jeovani Vieira, que responde por supostas irregularidades de R$ 164,1 mil nas contas de 2021 — incluindo pagamentos sem notas fiscais.

A vitória de Daniel Júnior expõe a unidade de ampla base partidária (PP, PSDB, Republicanos, PL) em torno de Reinaldo Azambuja, que, discretamente, articula apoios para fortalecer sua rede no interior. Com Riedel no governo e aliados como Gerson Claro e Tereza Cristina, o grupo demonstra capacidade de influenciar desde as bases municipais até o cenário nacional.

Nas entrelinhas, a eleição sinaliza que o caminho de Azambuja rumo ao Senado em 2026 passa por projetos coletivos e alianças transversais — estratégia já testada na eleição de Daniel, que uniu até adversários históricos.

Agora, a missão de Júnior é reerguer uma entidade que já representou mais de 60 Câmaras e hoje patina com menos da metade. “Vamos ouvir os vereadores, resgatar a confiança e modernizar a gestão”, prometeu. Se conseguir, não só a União das Câmaras ganhará fôlego, mas o grupo que o levou ao poder fortalecerá seu discurso de “política eficiente” — cartão de visitas para 2026.

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